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Qui, 27 Setembro 2012 00:00

“Invisível”, rede de esgoto traz melhorias que todo mundo sente

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Enterrada, rede de esgoto é muito bem aceita pelos moradores, que passam a ter melhor qualidade de vida (Fotos: Giuliano Lopes)

Ignorada pelos candidatos mesmo às vésperas da eleição e enterrada longe do olhar da população, a rede de esgoto é muito bem aceita e até festejada pelos moradores, que passam a ter uma melhor qualidade de vida. Contrariando mitos como o de que “obra enterrada não dá voto”, as pessoas que receberam o benefício recentemente fazem questão de ressaltar a importância da rede de esgoto.

Rapidamente, os moradores do bairro Manoel Taveira adaptaram-se à vida sem fossa. Há cerca de três meses a rede de esgoto foi implantada no local e isso gerou “um novo estilo de vida”, explica o aposentado Dionízio Ramos Nogueira, 76 anos.

Junto da mulher e do filho, o aposentado fixou residência no bairro há 18 anos, época em que nem asfalto existia por ali. “A rede de esgoto é uma evolução muito grande, antes era tudo na base da fossa. Quando ela enchia, logo tinha que chamar o ‘tatuzão’ [caminhão equipado para desentupir fossas]. Cada vez que ele vinha, eu tinha que gastar R$ 80. Agora tem a taxa de esgoto, mas a dor de cabeça acabou”, comemora Dionízio.

 

Dionízio tampa com concreto a fossa que durante 18 anos manteve em sua casa no Manoel Taveira. Ele já aderiu a ligação à rede de esgoto

Mesmo sendo recente a implantação da rede de esgoto no Manoel Taveira, ele explica que a qualidade de vida só tende a melhorar. “É um avanço que gera taxa, mas que vale a pena”, diz o aposentado que, no dia da entrevista, fechava a fossa com concreto.

Perto dali, na Rua Joaquim Francisco Lopes, a aposentada Maria Felícia Beatriz, 64 anos, também já aderiu à ligação da rede esgoto. “Todas as pessoas precisam de esgoto. É uma coisa que tem que ser feita em todo lugar, inclusive para beneficiar a saúde. O esgoto valoriza o bairro e os moradores só ganham com isso”, opina.

A ausência de coleta e tratamento de esgoto obriga as comunidades a conviverem com seus próprios dejetos, principalmente quando estes são lançados ao ar livre, em fossas, geralmente mal construídas, valas negras ou diretamente nos córregos.

O contato com o esgoto agrava o risco de inúmeras doenças, como: poliomelite, hepatite A, giardíase, disenteria amebiana, diarréia por vírus, febre tifóide, febre paratifóide, diarréias e disenterias bacterianas (como a cólera), ancilostomíase (amarelão), ascaridíase (lombriga), teníase, cisticercose, filariose (elefantíase) e esquistossomose.

O casal Wanderley e Sirlei, que mora no mesmo bairro que Dionízio, ainda não abandonou a fossa, mas quer providenciar a ligação à rede assim que entrar um "dinheirinho"

Mesmo sabendo dos benefícios da rede de esgoto, o casal Wanderley Mendonça Leite, 81 anos, e Sirlei Leite, 67 anos, ainda não abandonou a fossa. “Mas só estamos esperando entrar um dinheirinho para fazer a ligação”, pondera ela. A obra para a ligação do esgoto à rede coletora pode custar de R$ 300,00 a R$ 500,00 e deve ser arcada pelo morador.

Criança, a principal vítima – Distante do Manoel Taveira, a população do bairro Zé Pereira, enfim, está se livrando do mau cheiro. É que a implantação da rede de esgoto está na etapa final. A dona de casa Elisa Gomes da Silva já abandonou a fossa.

Mãe de um menino de 3 anos, Elisa expressa com um sorriso a satisfação de poder dar um fim à fossa existente em seu quintal, que agora está vazia. “Antes era um mau cheiro muito forte em todas as redondezas do bairro. Problema que afetava a saúde, principalmente das crianças. Posso dizer que agora minha qualidade de vida aumenta”, disse, apontando para o local onde por muito tempo funcionou a fossa.

As doenças relacionadas à ausência de tratamento de esgoto afetam pessoas de todas as idades, mas as crianças são as mais prejudicadas. De acordo com a pesquisa “Saneamento e Saúde”, do Instituto Trata Brasil, “as respostas das mães relativas a seus filhos caçulas indicam que as principais vítimas da falta de esgoto são as crianças de 1 a 6 anos”. A taxa de mortalidade nessa faixa etária é 32% maior quando não há rede coletora de esgoto.

Ainda segundo o levantamento, outra vítima em potencial da falta de esgoto são as grávidas, pois a falta de coleta e tratamento de esgoto aumenta em 30% a chance de terem filhos nascidos mortos.

Elisa mora no Zé Pereira e aponta a fossa já inexistente, desde que fez a ligação à rede há poucos dias. "Agora minha qualidade de vida aumenta"

Mesmo fora desses casos extremos, que resultam em morte, as doenças relacionadas à falta de tratamento de esgoto trazem prejuízos. Elas atrapalham o desenvolvimento e a frequência das crianças às aulas. Segundo o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), no Brasil, 65% das internações hospitalares de crianças menores de 10 anos estão associadas à falta de saneamento básico. No caso dos adultos, essas doenças impactam diretamente na ausência no trabalho.

O médico pediatra Rubens Trombini Garcia explica que o principal perigo está na proliferação de bactérias. “A água é um bem precioso, mas por outro lado, se estiver contaminada, pode ser vinculadora de doenças, como leptospirose [contaminação por urina de ratos], hepatite A, entre outras. Se uma pessoa come algo lavado com água suja, provavelmente ficará doente”.

Trombini conta que Campo Grande ainda registra casos de crianças internadas em hospitais com diarréia decorrente da ingestão de água suja. “A maioria da população não tem a noção de que muita doença pode ser transmitida por conta da água contaminada. No caso da hepatite A, por exemplo, a pessoa acaba adquirindo a doença em rios, mares, por meio de fezes que ali são despejadas. Falta educação social adequada e isso vem da escola”, afirma.

A preocupação da população com uma rede de esgoto adequada é tão pequena como são poucas as propostas sobre saneamento básico nas campanhas eleitorais, de acordo com Rubens Trombini. “Na verdade, as pessoas estão pouco despertadas para o problema”.

Na Avenida Júlio de Castilho, comerciantes já estão aderindo à rede de esgoto. Mau cheiro decorrente das fossas já causou muitos contratempos por ali

Mau cheiro - O fedor exalado em consequência da fossa também causou muita dor de cabeça ao comerciante Luciano Gomes Santana, 34 anos, proprietário há três anos de uma loja de bicicletas na Avenida Júlio de Castilho. “Era ruim por causa dos clientes que sentiam o cheiro. A rede de esgoto é muito importante para o saneamento básico, principalmente para a saúde”.

A Avenida Júlio de Castilho está passando pela fase de implantação da rede de esgoto e também, aos poucos, os comerciantes começam a aderir ao sistema. Assim como Luciano, outros proprietários de comércios já providenciam a ligação do esgoto à rede coletora.

Essas tubulações de esgoto podem estar enterradas, mas as vantagens do investimento em tratamento de esgoto para a saúde pública são visíveis. Segundo a Funasa (Fundação Nacional de Saúde), a cada R$ 1,00 investido em saneamento, economiza- se R$ 4,00 em medicina curativa.

O esgoto é tão importante para melhorar o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) que o sétimo dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (uma série de metas socioeconômicas que os países da ONU [Organização das Nações Unidas] se comprometeram a atingir até 2015) é reduzir pela metade o número de pessoas sem rede de esgoto.

Investindo em saúde - Desde 23 de outubro de 2000, quando assinou o contrato de concessão com a prefeitura, a empresa Águas Guariroba investiu mais de R$ 577 milhões na ampliação e melhoria dos serviços de água e de esgoto de Campo Grande.

O investimento se intensificou nos últimos anos. Mais de R$ 482 milhões foram aplicados a partir de 2005, quando o Grupo Equipav adquiriu o controle acionário da concessionária.

Em abril deste ano, a Águas Guariroba lançou o Programa Esgoto 100% que vai disponibilizar o acesso ao serviço de coleta e tratamento de esgoto para toda a população da Capital.

Viabilizado por meio do Sanear Morena, o programa está sendo executado em três etapas. Somando os investimentos de todas as fases do Sanear Morena (1, 2 e 3) serão R$ 891 milhões de investimentos, 2.850 km de rede coletora, 196 mil ligações domiciliares e 562 mil pessoas beneficiadas com o serviço.

Após a conclusão do Programa Sanear Morena 3, a Águas Guariroba terá investido pelo menos R$ 1,14 bilhão em água e esgoto em Campo Grande. E a assessoria de imprensa da concessionária garante: os benefícios não terão impacto na tarifa praticada pela empresa.

Gráfico mostra evolução do saneamento básico na Capital, por meio da quantidade de imóveis que já possuem ligações à rede de esgoto

Meio ambiente - Todo o esgoto coletado pela Águas Guariroba é tratado e o efluente é devolvido aos mananciais obedecendo às normas ambientais, sem oferecer riscos de contaminação.

Essa preocupação é redobrada pelo fato de a maior parte do Aquífero Guarani (70% ou 840 mil km²) estar no subsolo do centro-sudoeste do Brasil, o que inclui Mato Grosso do Sul e Campo Grande.

Com cerca de 1,2 milhão de km², o aquífero é a maior reserva subterrânea de água doce do mundo. A população atual do domínio de ocorrência do aquífero é estimada em 15 milhões de habitantes.

O aquífero nomeado em homenagem à tribo indígena Guarani possui um volume de aproximadamente 55 mil km³, um recurso precioso tendo em vista as previsões da possível falta de água potável no planeta, nas próximas décadas.

 

 

 

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