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Qui, 31 Maio 2012 00:00

Servente de pedreiro supera dificuldades para conquistar diploma e construir carreira de sucesso

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Raymundo mostra com orgulho seu escritório de arquitetura, em Campo Grande.

Fotos: Giuliano Lopes

Aos 57 anos, Raymundo Barizon tem motivos de sobra para se orgulhar. Ele passou por caminhos difíceis, mas superou todas as dificuldades e conseguiu edificar uma carreira de sucesso, do primeiro degrau ao ápice na carreira da construção.

Gaúcho de São Marcos, Raymundo foi servente de pedreiro, vendedor ambulante, engraxate, pasteleiro e até morou no Paraguai para conseguir estudar arquitetura e realizar seu sonho profissional.

Ele começou a carreira no cargo mais humilde da hierarquia da construção. Trabalhou como servente de pedreiro na edificação da igreja Santa Cecília, em Campo Grande. A obra era de Celso Costa - “um dos maiores nomes da arquitetura da capital”, ressalta Raymundo.

Chamado de a lenda viva da arquitetura de Mato Grosso do Sul, Celso Costa é autor de inúmeros projetos, incluindo Santa Casa, maternidade Pró Matre e Hospital do Coração – Proncor, os três em Campo Grande.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O caminho para se tornar um arquiteto de sucesso começou quando ele era servente de pedreiro e ajudou a edificar uma importante igreja na Capital.

“Tive uma certa inquietude. Estava trabalhando e perguntava alguns detalhes arquitetônicos para ele [Celso Costa]. Um dia, ele respondeu para eu ir outra hora ao escritório que iria me explicar. Ele estava certo de que eu não iria, mas fui. Apareci no escritório e ele me mostrou os projetos”, conta.

O servente de pedreiro, que tinha 23 anos, deixou o escritório com uma certeza: ia se tornar um arquiteto. “Falei com meus colegas. Eles disseram: ‘quê!? Um oreia (sic) como você, um peão, vai ser arquiteto?!’. Virei alvo de gozação”.

No Paraguai – Com a certeza de que conseguiria alcançar o seu objetivo, Raymundo inscreveu-se no consulado do Paraguai para estudar na capital do país vizinho. Mesmo sem saber falar os idiomas daquele país (espanhol e guarani), o servente de pedreiro brasileiro mudou-se para Assunção, levando apenas uma mochila nas costas. “Fui para o Paraguai sem dinheiro, mas sem desistir do sonho”, afirma.

Ele fez um pouco de tudo no país vizinho: lustrou sapatos e revendeu materiais de arquitetura como régua e compasso e livros didáticos que trazia do Brasil, já que algumas matérias eram ministradas em português. A universidade era pública e gratuita.


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Raymundo deu uma guinada na sua vida. Hoje ele possui vários bens, como casa e carros.

Raymundo estudou no Paraguai até 1985, quando conseguiu a transferência para a Uniderp (Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal), hoje Anhanguera. Um dos professores dele foi Celso Costa.

No último ano de faculdade, já trabalhava como desenhista em um escritório de arquitetura e ainda vendida pasteis para ajudar a pagar a faculdade.

Raymundo ficou mais uma vez diante de Celso Costa na apresentação da tese para a conclusão do curso. O renomado arquiteto era o diretor geral da universidade e presidia a Mesa que julgaria os trabalhos. Celso Costa não sabia que Raymundo era o ex-servente de pedreiro.

“Aí fiz a minha introdução e disse que era peão. Eu esperei para dizer e me manifestar somente no último dia. Eu disse que se conseguisse a aprovação seria uma honra porque iria me tornar colega do Celso Costa. Quando acabou, ele me perguntou: ‘da onde te conheço?’”.

A paixão pela arquitetura também fez com que Patricia e Susana seguissem a profissão do pai.

Conquista – A formatura foi em 1987. Raymundo tinha 32 anos. “Para quem saiu do zero, foi uma vitória. Eu nunca esmoreci, o preço foi caro, mas valeu a pena. A arquitetura sempre foi para a elite, eu quebrei isso”, diz.

Hoje ele é um profissional de sucesso, com mais de 500 projetos. Por meio da profissão que abraçou, o ex-servente de pedreiro conseguiu tudo o que queria: casa e escritório próprios e o carro tanto desejado – uma Mercedes. Raymundo é casado e pai de duas filhas: Patrícia e Susana Barizon. As duas são arquitetas.

De acordo com o último censo, o nível de instrução da população brasileira aumentou em todo o país. Em dez anos (de 2000 a 2010), o percentual de pessoas sem instrução ou com o fundamental incompleto caiu de 65,1% para 50,2%; já o de pessoas com pelo menos o curso superior completo aumentou de 4,4% para 7,9%.

No mesmo período, o percentual de jovens que não frequentavam escola na faixa de 7 a 14 anos de idade caiu de 5,5% para 3,1%.

Em Mato Grosso do Sul, ainda conforme o censo, são 182 mil pessoas com ensino superior completo e 453 mil com médio completo e superior incompleto. O Estado possui 2,449 milhões de habitantes.

Neste universo, Raymundo é um dos inúmeros brasileiros que apostam em um futuro melhor e vencem por meio da educação.

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