Sexta, 24 Fevereiro 2012 16:45

Biga moderna para guerreiros independentes

Escrito por 
Avalie este item
(1 Votar)

 

Conheça a “Biga”, veículo criado especialmente para cadeirantes

A ideia surgiu na mesa de um bar e foi rascunhada em um guardanapo. Este foi o primeiro esboço da “Biga”, um veículo criado para uso de cadeirantes e que saiu da cabeça de um professor de desenho industrial apaixonado por motos e triciclos. Oraci Silva da Costa teve seu “Ovo de Colombo” ao pensar em um veículo criado exclusivamente para uso de quem tem uma cadeira de rodas. “Eu não pensei em adaptar um veículo, como geralmente é feito, pensei em um veículo especialmente para eles”, explica o professor, que tem oficina em Campo Grande (MS).

Segundo o IBGE, são cerca de 24,5 milhões de deficientes no Brasil, a maioria de cadeirantes. Nos últimos anos, a inclusão e acessibilidade foram temas de pautas importantes. Contudo, mesmo assim, a burocracia muitas vezes emperra na liberação de carros adaptados, por exemplo. O valor alto para a adaptação também é um empecilho, fazendo com que muitos cadeirantes fiquem na dependência de motoristas para ajudar em sua locomoção. Segundo o professor Oraci, a Biga serve para dar mais mobilidade a esses “guerreiros”.


Ele fez o primeiro protótipo em 2007, com motor de 125 cc e batizou de “Biga” por lembrar as carruagens dos tempos dos gladiadores romanos. “Os cadeirantes são guerreiros, lutam todo dia por independência. A Biga pretende isso, dar independência a eles, que possam ir a todo lugar sem precisar ajuda de ninguém”.

O desenho do veículo é mesmo de chamar atenção. Tem todos os detalhes: a rampa que desce para acesso da cadeira de rodas, o travamento e até marcha ré, na versão 2012. “A minha sacada foi usar a cadeira de rodas como banco. O cadeirante sobe, vai para onde quer, estaciona e desce da Biga. É independência que eles pretendem”, explica.

Ao lado do sócio, o advogado Paulo Nagata, os dois comentam que a ideia começou a fluir de várias maneiras e protótipos. “Geralmente os projetos para cadeirantes vem de quem tem algum na família ou convive com eles. Não é meu caso, somente pensei em algo para facilitar a vida deles”, comenta o professor que também é apaixonado por triciclos e também tem uma linha de montagem destes veículos.

Com motor de 125 cc, para evitar velocidades muito altas, a Biga tem três marchas e a ré. O câmbio é conduzido por um varão, com embreagem automática, para ser mais macio e a partida é elétrica. “A partida só é em ponto morto. Se o motorista estiver andando e a alavanca que prende a rampa destravar, o motor é desligado, por questões de segurança”, aponta Silva. Seu painel é feito de maneira dinâmica, com botões de fácil e acesso e instrumentos de navegação. Em testes, a cadeira de rodas fica fixa, sem riscos para o motorista. O consumo de gasolina é semelhante a uma motocicleta Honda Biz.

O projeto tem todas as licenças para rodar e até o Detran do Estado de Mato Grosso do Sul adquiriu uma, permitindo que os cadeirantes tirem suas habilitações. E a dupla viaja sempre, levando seu projeto em feiras e exposições. Já existem Bigas rodando em São Paulo, Paraná e outros estados. “Estivemos no Nordeste, Rio de Janeiro e estamos sempre viajando”, conta Nagata.

As atualizações no veículo são constantes. Mesmo atendendo as exigências dos clientes, Oraci pretende mais “atualizações”. Segundo ele, vários compradores pedem por aprimoramentos. O veículo custa R$ 15 mil. E todos os cadeirantes que testaram, compram no ato, segundo Nagata. “Tem até um investigador de polícia, em São Paulo, que anda com uma dessa. Já pensou?”, comenta.

Nagata e Oraci: Da paixão pelas motos, um veículo criado para cadeirantes

Em testes, a Biga atinge até 80 km/h, embora o manual aconselha se manter no 60 km/h. “Precisamos pensar na segurança. Principalmente os homens, gostam de se auto afirmar. Olha os cadeirantes, que ganham a possibilidade de locomoção aumentar, geralmente saem acelerando”, pondera Nagata.

A dupla já teve vários pedidos e até propostas para compra do projeto, mas, preferem manter a linha de produção. O professor Oraci tinha encomenda, no fim de fevereiro, para 20 Bigas.

 

Veja vídeos da Biga em ação:

 

Dim lights Embed Embed this video on your site

 

Dim lights Embed Embed this video on your site

Última modificação em Quarta, 07 Março 2012 22:40
Follow us on Twitter